quarta-feira, 10 de novembro de 2010

'Tá Danado' supera infância difícil e crê na torcida 'em casa' em estreia no UFC

Reprodução

“Minha avó que me criou e eu nunca soube do paradeiro da minha mãe. Mas foi o jiu-jitsu que me fez ser um atleta, não um malandro de rua, um ladrão ou um drogado.” É assim que o cearense Carlos Eduardo Rocha, o ‘Tá Danado’, resume sua infância difícil, mas sem pesares. Agora, ele quer só comemorar, pois está a três dias de realizar o sonho de todo lutador profissional: chegar ao UFC.
Vindo de uma academia que sempre prezou por um jiu-jitsu mais tradicional, e que por muito tempo ficou fechada até para disputa de torneios, Carlos Eduardo está no card preliminar da edição 122 do maior torneio de MMA do mundo, que acontece neste sábado, na Alemanha. Seu adversário será o norte-americano Kris McCray.
“Estou muito feliz e ansioso para essa primeira luta. Quero que o dia chegue rápido. Era o que mais esperava e o que sempre sonhei, desde que entrei no MMA. Juro que ainda nem estou acreditando direito”, afirmou o lutador de 29 anos ao UOL Esporte.
Mas até chegar ao Ultimate, ‘Tá Danado’ teve de superar os problemas de muitas crianças pobre do Brasil, mas “deu a sorte” – como o próprio diz – de ter sido ‘adotado’ pela academia de jiu-jitsu do mestre Dárcio Lira. “Comecei a treinar com dez anos e eles foram minha família. É minha casa até hoje. Se não fosse por eles, não seria atleta e feito faculdade de educação física. Me inspiraram a tudo isso.”
Para chegar ao MMA, Carlos Eduardo fez um caminho diferente da maioria dos brasileiros. Visto por um olheiro, foi levado para a Alemanha, onde fez toda sua carreira na modalidade. No país, já são oito lutas com oito vitórias, sete por finalização e uma por nocaute. Até por isso, ele espera contar com a torcida da casa neste UFC.


Mario Yamasaki conta como trouxe UFC ao Brasil em 1998 e como virou juiz do torneio


Getty Images
Considerado o melhor árbitro do UFC na atualidade, o brasileiro Mario Yamasaki conversou com o UOL Esporte e contou como entrou no mundo de luta, as dificuldades em seu começo nos Estados Unidos, o que fez para virar juiz no Ultimate e como trouxe o UFC para o Brasil em 1998, na única edição que aconteceu no país até o momento. Confira abaixo o relato do árbitro.

O começo

  • Shigueru Yamasaki, mestre de judô e pai de Mario
"Minha família vem das artes marciais. Cresci vendo meu pai (Shigueru) e meu tio (Shigueto), que eram os únicos brasileiros árbitros internacionais de judô, além de o meu tio ter ido para as Olimpíadas de Barcelona [em 1992].
Comecei a treinar jiu-jitsu com o Marcelo Behring [faixa preta de Rickson Gracie e considerado uma das lendas do esporte] e me empolguei. Depois de um tempo, me mudei para os Estados Unidos, onde abri minha primeira academia em 1989, em Maryland.
O problema é que éramos muito casca-grossas na época, então o aluno aparecia lá para treinar, levava uma coça e não voltava mais. Então tive de fechar a academia."
  • Ainda com os donos antigos e sem o status atual, o UFC já esteve no Brasil em 1998. Mesmo não sendo tão grande quanto nesse momento, contou com importantes nome do MMA, como Vitor Belfort, Wanderlei Silva, Pedro Rizzo e Frank Shamrock.

UFC no Brasil

"O jiu-jitsu começou a chamar atenção por lá em 1993, quando surgiu o Ultimate. Então eu reabri minha academia e veio muita gente, comecei a treinar policiais também. No final de 1997, a academia Fórmula mostrou interesse de levar o UFC para o Brasil e ajudei nisso, fiz o meio-campo.
Primeiro eles trouxeram o [campeão do UFC] Dan Severn para o Brasil, que divulgou o torneio, ficou uma semana treinando com o pessoal na praia, no Guarujá.
Meu contato com o UFC começou quando fui assistir um porque queria um pôster deles na minha academia. Então fui falar com um senhor. Peguei um cartão dele que só fui olhar em 1997, um ano depois, e era do próprio dono, o Bob Meyrowitz.
Depois que a Fórmula entrou em contato comigo, liguei e ele me atendeu. Contei o projeto de levar o Ultimate para o Brasil e ele aceitou. Disse que estava vindo para cá e que íamos com ele. Entrei no avião e perguntei por que ele tinha me escolhido e me respondeu: “Gozado isso. Todos os dias me ligam 350 pessoas pedindo para levar o UFC para o Brasil e exatamente quando você me ligou, estava pensando nisso”

Entrada como árbitro do UFC

  • McCarthy levou Yamasaki ao UFC
"Eu entrei no UFC em 1998. Pedi mesmo para entrar para o John McCarthy. “Você é o único que faz isso”, disse para ele e era exatamente a época em que eles estavam procurando um juiz extra.
O começo foi muito difícil para mim, por ninguém me conhecia direito e entrei lá sem muita explicação. Me dei muito bem, mas o McCarthy me ajudou muito também, pois ele tava lá desde o começo. Entrei no UFC 20, e ele estava lá desde o 2. Mas fui ganhando espaço e logo foi contratado pelo evento. Hoje mudaram as regras e sou freelancer."

Uol

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