segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Cigano: “Serei azarão, mas vou nocautear Velásquez”


Traçar qualquer tipo de perspectiva ainda é precoce. Mas Junior Cigano dos Santos, maior expoente brasileiro entre os pesos pesados do UFC na atualidade, convive com a certeza de que as cartas estarão na mesa novamente em algum momento de 2011. E todas as jogadas terão de ser de mestre para alcançar o objetivo. Credenciado como próximo desafiante para o recém-condecorado campeão, o norte-americano Cain Velásquez, o atleta catarinense radicado em Salvador (BA) já respira, come, bebe e dorme com o pensamento fixo no cinturão.

Cacareco assina e estreia no UFC 122



Rudimar Fedrigo afirmou à TATAME que seu maior desejo era ver Alexandre “Cacareco” lutando no UFC (relembre aqui). Vinte dias depois, o líder da Chute Boxe anunciou, através de seu site oficial, que o atleta finalmente assinou com o Ultimate. Com sete vitórias consecutivas, todas conquistadas por finalizações no primeiro round, Cacareco estreará contra o duríssimo Vladimir Matyushenko no UFC 122, evento programado para acontecer em novembro na Alemanha. Este foi o terceiro atleta da Chute Boxe a ser contratado pelo UFC este ano, se juntando a Vinícius Spartan e Maiquel Falcão.
O trabalho de divulgação do combate já começou, mas tudo ainda segue sem data definida. “Espero que confirmem logo, estou ansioso. Não posso prometer muita coisa, mas vou trabalhar para nocautear Velásquez”, vislumbra o atleta, neste bate-papo exclusivo para o Yahoo! Esportes.
Atualmente na capital baiana, onde afia o boxe com Luiz Dórea (ex-treinador de Acelino Popó Freitas) e realiza trabalho de manutenção física, Júnior recentemente passou 40 dias nos Estados Unidos para aperfeiçoar detalhes do wrestling, fato que deve repetir em breve. “Esse fundamento será o ponto-chave do combate. Cain não vai querer equiparar habilidades, ele tentará me derrubar e aplicar golpes no chão. Então, é bom estar com o timing em dia para tirar vantagem disso,” avalia.
Cigano tem cartel de 12 vitórias (nove por nocaute), uma derrota e já atropelou adversários do naipe de Mirko Crocop, Gabriel Napão Gonzaga e Fabrício Werdum. Para o próximo combate, porém, prefere rebater qualquer favoritismo. “O Velásquez nunca perdeu no MMA. Serei azarão para esse desafio, e me sinto bem assim. Foi desta forma que cheguei onde cheguei no UFC”, pondera.
Na prática, o lutador revela que o padrão estratégico que valorizará a luta em longa distância deve ser a fórmula praticada à exaustão para conectar os melhores ataques e evitar as tentativas de quedas. “O básico bem feito sempre rende boas surpresas. Esse é o maior trunfo que tenho”, explica Cigano. “Confio no meu boxe acima de tudo. Mesmo bem preparado em outros aspectos, mentiria se falasse que não penso em desenrolar essa luta em pé”, afirma.
De modo geral, o brasileiro analisou a repercussão massiva da vitória de Velásquez sobre Lesnar como marco positivo para os pesados no UFC. “Foi prova concreta de que força não é tudo. Se analisarmos os atletas que surgiram nos últimos anos e o nível das lutas, creio que finalmente temos o ponto de equilíbrio ideal entre potência e técnica. A rotatividade do cinturão será grande. É uma nova era para a categoria. E estarei no topo”, endossa.
Raio-X -  Em amplo comparativo, pode-se dizer que Cigano e Velásquez têm ferramentas que se completam nos detalhes. Mesmo oriundos de modalidades grappling (agarradas), têm se destacado pela potência e precisão dos golpes em pé. Assim, o atual campeão é mais ortodoxo e consegue bons ângulos para colocar golpes em linha reta durante as trocas mais francas. Mantém também fortes características do wrestling, credenciadas pelos títulos dos cinco anos em que foi Top 5 dos pesados no Estado do Arizona (EUA).
Cigano é mais dinâmico. Usa muito os cruzados e molda contragolpes poderosos a partir de rotações do tronco e esquivas. Uma das assinaturas do catarinense é o direto na linha de cintura, usado para deter avanços dos adversários (como bloqueio) e garantir a distância. As habilidades no jiu-jitsu ainda são discretas no MMA. Cigano tem apenas duas vitórias por finalização (chave de braço e guilhotina). Mas é faixa marrom e discípulo direto dos irmãos Nogueira (Minotauro e Minotouro).

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