
Depois de ficar mais de oito meses longe dos ringues, abalado pela depressão, Paulo Filho voltou com sucesso no DREAM. No início, um susto contra Melvin Manhoef, uma pedreira que em 22 das 23 vitórias derrotou os adversários por nocaute. Mas, logo em seguida, Paulada encaixou o jogo e finalizou com um armlock, aos 2min36s de combate. De volta do Japão, o faixa-preta conversou com o PORTAL DAS LUTAS e comentou alguns detalhes do último desafio, como a notícia em cima da hora de que lutaria no peso 83kg.
Portal das Lutas - O que achou da volta contra essa pedreira? Ele deu um trabalho no início, né?
Paulo Filho - Rapaz, era um cara muito perigoso e já sabia que a pancada dele era seca. O aproveitamento de nocautes dele é impressionante e me surpreendi com a capacidade de absorção que tive na luta. Ele realmente encaixou uma série de golpes muito duros, uns cruzados muito fortes. No momento mais complicado sentei e fiz guarda e nessa hora fiquei em casa. Ele teve um ótimo momento, mas não soube aproveitar. Já eu aproveitei o momento que tive na luta. Estou muito contente.
PDL - Mas você disse que ficou um pouco chateado com outra situação...
PF - Fico um pouco decepcionado com parte do público brasileiro. Muita gente falou que eu estava acabado e, criticar de fora, sem nunca ter estado ali, é fácil. Só quem já subiu ali sabe como é e, em qualquer luta, o lutador pode passar por momentos complicados. Além disso, sou um ser humano como qualquer outro. Passo por dificuldades como qualquer um. Fui forjado para passar por essas situações difíceis, mas tem gente que critica quando perco e quando ganho e isso me deixa muito magoado. Fazem críticas pesadas, desconsiderando que somos pessoas normais e sem saber o que realmente está acontecendo. Não estava lutando contra um adversário qualquer e garanto que não era qualquer pessoa que aceitaria essa luta tendo saído da situação que passei.
PDL - Mas o público japonês realmente te ovacionou...
PF - No Japão o povo todo me aplaudiu muito. Fui aplaudido como os japoneses que lutaram no mesmo dia e fiquei muito impressionado com isso. Os fãs tiveram um carinho especial. Hoje luto por pessoas assim, pelos que estão comigo e meus amigos.
PDL - Você lutaria entre os meio-pesados, mas, lá no Japão, ficou sabendo que o combate seria no peso médio. Isso atrapalhou muito?
PF - Estava me preparando muito, me tratando, consciente e sentindo falta de estar ali. Como estava muito treinado, não foi difícil perder o peso. Fiz uma sauna e já dormi perto do que tinha que pesar. Lidei bem com isso, mas a minha intenção é não fazer mais dieta.
PDL - Agora terá pela frente o Alex Schoenauer no Bitetti Combat, um cara que já bateu feras como o Allan Goes. Como está a expectativa para esse evento?
PF - Nada melhor que isso. O Amaury é um grande amigo e tenho obrigação de fazer parte disso. Enquanto alguns estão ganhando (dinheiro) lá fora, no Brasil temos um monte de talentos que busca chance, muito casca-grossa sofrendo. É nossa obrigação mostrar para os investidores que o MMA não é um bicho de sete cabeças. O negócio tem que crescer. Quem sabe no futuro o evento não passe do Maracanãzinho para o próprio Maracanã?
PDL - Dará um descanso para essa próxima luta?
PF - Não quero nem descansar. Minha cabeça mudou e já quero trabalhar duro para essa próxima luta.
Meiaguarda
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